Sinopse
A sombra (em latim, umbra) é uma consequência direta e (quase) obrigatória da existência de luz, tanto quanto é uma reinterpretação desta; uma versão incorpórea do objeto (ou peça ou pessoa ou ser) iluminado. A sombra é ladina, inconstante e, por vezes, mentirosa, pelo que não é fácil apanhá-la, retê-la ou representá-la de forma absolutamente fiel. Porque depende da perspetiva, porque depende do ponto de vista, porque depende do ponto de incisão e dos planos de projeção.
“umbra” é, então, um conjunto de possíveis registos e discussões deste elemento tão fugidio e tão assumidamente presente quanto discreto no nosso dia-a-dia; é o aprisionamento e apoderamento das suas diversas manifestações para criação artística. Como compreendemos esta 'escuridão'? Como compreendemos esta 'falta de luz' e/em todos os seus contornos?
Neste sentido, esta exposição reúne um grupo de peças pertencentes ao espólio da Fundação Cecilia Zino e expostas anteriormente como parte do projeto multidisciplinar “O SOL MARCA A SOMBRA”, reinterpretadas e readaptadas agora a um novo espaço, discutindo outras perspetivas. Sob a curadoria de Regina Silva, os trabalhos de Andreia Santana, Carolina Vieira, BERRU e Luísa Salvador — em conjunto com alguns registos das crianças que participaram nas oficinas do projeto mencionado —, ganham nova vida (e novas sombras), sempre de olhar posto no “Grande Herbário de Sombras” (1972), da artista plástica madeirense Lourdes Castro — a derradeira captora e dissectora da sombra.
Rodrigo Costa






