Juan Cabello Arribas

Ecossistemas Familiares

9 — 25 JUL 2021

Ecossistema | n. m.

E·cos·sis·te·ma |ê|
(eco- + sistema)

[Ecologia] Conjunto das relações de interdependência, reguladas por condições físicas, químicas e biológicas, que os seres vivos estabelecem entre si e também com o meio ambiente em que habitam.= BIOGEOCENOSE, BIOSSISTEMA

"ecossistema", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021 [consultado em 17/06/2021].

As colagens minuciosas apresentadas por Juan Cabello Arribas prometem-nos sempre quebrar a inevitável imobilidade da imagem capturada ou ilustrada. São composições quase sempre de contraponto e sempre dinâmicas, recusando inexoravelmente a ideia do inerte e do estático.

Nas suas obras, a natureza habita um espaço nem sempre favorável. No entanto, esta parece sempre emergir sobre as ruínas, resolvendo-as: umas vezes apoderando-se do caos, outras apenas subsistindo, mostrando sempre uma ideia de caminho.

Nesta série de colagens “Ecossistemas Familiares” enfrenta-se a infância como um principio ou um fim a que sempre se deve retornar.

Pelo caminho passamos pelo tormento interior, pela solidão, pelo medo e pelo desespero, pelo som das execuções, pela dor do exílio, pela deslealdade propostas por Goya (1746-1828) nos seus últimos trabalhos.

A infância aqui proposta tudo promete e potencia. Nestes ecossistemas de Juan Cabello Arribas, são as crianças e a natureza das suas relações (o amor) - os fatores bióticos relevantes. Os fatores abióticos: a atmosfera, a sombra, os sentimentos destrutivos (o desamor).

Goya no seu percurso, foi da luz para a sombra; era o mestre da cor e nos seus derradeiros trabalhos, aqui explorados por Cabello Arribas, introduziu um novo pigmento: o da escuridão e da angústia.

O seu “Saturno devorando o seu filho” e “Judite e Holofernes” foram as figuras mitológicas que Freud usaria mais tarde para as suas teorias. O registo simbólico destas obras nada mais representam do que o lado mais sinistro e atávico do ser humano; o nosso lado mais sombrio – aquelas sombras que nem sempre gostamos de ver.

Nesta série Juan apresenta-nos a infância como um princípio, um começo, rodeado de possibilidades, de vida a que juntando o outro fator biótico evidenciado equilibrará o implacável sistema. Nutra-se a infância parece propor-nos o artista.

O amor une. O desamor destrói. Permita-se expressar aos seus filhos o amor nos momentos mais variados e inesperados.

J. Andrade

Planta da Galeria da Fundação Cecilia Zino

1 a 6

Ecossistemas Familiares 1 a 6

Série "Ecossistemas Familiares"

Colagem digital

50 x 70 cm

7

Kids “Hard To Handle”

Série "Crítica 1"

Colagem analógica

50 x 70 cm

8

Kids “Hard To Handle”

Série "Crítica 2"

Colagem analógica

50 x 70 cm

9

Nautilus

Série "Madrid-Rio"

Colagem digital

50 x 70 cm

10

Atlas

Série "Madrid-Rio"

Colagem digital

50 x 70 cm

11

Átame

Série "Madrid-Rio"

Colagem digital

50 x 70 cm

12

Mergulha

Série "La mujer Singular Y la Ciudad"

Colagem digital

50 x 70 cm

13

Atrás

Série "La mujer Singular Y la Ciudad"

Colagem digital

50 x 70 cm

14

Tédio

Série "La mujer Singular Y la Ciudad"

Colagem digital

50 x 70 cm

15

Em Casa Tranquilamente

Série "Volver"

Colagem digital

50 x 70 cm

16

Meninas Raras

Série "Volver"

Colagem digital

50 x 70 cm

17

Praça

Série "Volver"

Colagem digital

50 x 70 cm

18

Yes, I Kahn

Série "Volver"

Colagem digital

50 x 70 cm

19

Origem

Série "Volver"

Colagem digital

50 x 70 cm

20

Somos Modernas

Série "Volver"

Colagem digital

50 x 70 cm

21

Hi-Tech Ladies

Série "Volver"

Colagem digital

50 x 70 cm

22

Horizonte

Série "Volver"

Colagem digital

50 x 70 cm

23

It Is Up To You

Série "Volver"

Colagem digital

50 x 70 cm

24

Open Corner

Série "Volver"

Colagem digital

50 x 70 cm

Juan Cabello Arribas

Juan Cabello Arribas

Juan Cabello Arribas (madrid, 1973) é um artista transfronteiriço que vive entre Portugal, Brasil e Espanha, onde desenvolve estudos transdisciplinares conectando arte, ecologia, botânica e arquitetura. Após 7 anos de trabalho como arquiteto na cidade do Porto, voltou para Madrid para continuar os seus estudos de doutoramento e finalmente, em 2006, estabeleceu o seu atelier de investigação na cidade de Londres. A meio caminho entre a Whitechapel e a Tate Modern, expandiu os limites da sua atuação crítica além da tradicional formação técnica que recebeu como arquiteto.

Em 2010, obteve o título de Doutor Internacional na Universidad Politécnica de Madrid (departamento de Proyectos Arquitectónicos, ETSAM) e em 2020, finalizou seu projeto de pós-doutoramento no Departamento de Arquitetura de la PUC-RJ, na cidade brasileira de Rio de Janeiro.

A partir do seu laboratório criativo, Juan convida-nos a revistar o nosso presente, explorando a geografia da collage como um território de liberdade onde tudo pode ser possível.

juancabelloarribas.com