Ecossistema | n. m.
E·cos·sis·te·ma |ê|
(eco- + sistema)[Ecologia] Conjunto das relações de interdependência, reguladas por condições físicas, químicas e biológicas, que os seres vivos estabelecem entre si e também com o meio ambiente em que habitam.= BIOGEOCENOSE, BIOSSISTEMA
"ecossistema", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021 [consultado em 17/06/2021].
As colagens minuciosas apresentadas por Juan Cabello Arribas prometem-nos sempre quebrar a inevitável imobilidade da imagem capturada ou ilustrada. São composições quase sempre de contraponto e sempre dinâmicas, recusando inexoravelmente a ideia do inerte e do estático.
Nas suas obras, a natureza habita um espaço nem sempre favorável. No entanto, esta parece sempre emergir sobre as ruínas, resolvendo-as: umas vezes apoderando-se do caos, outras apenas subsistindo, mostrando sempre uma ideia de caminho.
Nesta série de colagens “Ecossistemas Familiares” enfrenta-se a infância como um principio ou um fim a que sempre se deve retornar.
Pelo caminho passamos pelo tormento interior, pela solidão, pelo medo e pelo desespero, pelo som das execuções, pela dor do exílio, pela deslealdade propostas por Goya (1746-1828) nos seus últimos trabalhos.
A infância aqui proposta tudo promete e potencia. Nestes ecossistemas de Juan Cabello Arribas, são as crianças e a natureza das suas relações (o amor) - os fatores bióticos relevantes. Os fatores abióticos: a atmosfera, a sombra, os sentimentos destrutivos (o desamor).
Goya no seu percurso, foi da luz para a sombra; era o mestre da cor e nos seus derradeiros trabalhos, aqui explorados por Cabello Arribas, introduziu um novo pigmento: o da escuridão e da angústia.
O seu “Saturno devorando o seu filho” e “Judite e Holofernes” foram as figuras mitológicas que Freud usaria mais tarde para as suas teorias. O registo simbólico destas obras nada mais representam do que o lado mais sinistro e atávico do ser humano; o nosso lado mais sombrio – aquelas sombras que nem sempre gostamos de ver.
Nesta série Juan apresenta-nos a infância como um princípio, um começo, rodeado de possibilidades, de vida a que juntando o outro fator biótico evidenciado equilibrará o implacável sistema. Nutra-se a infância parece propor-nos o artista.
O amor une. O desamor destrói. Permita-se expressar aos seus filhos o amor nos momentos mais variados e inesperados.
J. Andrade


